domingo, 6 de junho de 2010

Caminhada insegura.

Ali ninguém fala. Anoitece, princesa, o valor, qual o preço do teu tórax dorido que não te deixa falar nem segurar a minha mão lá fora? Um gemido.
Este poema reflexo ruidoso do medo, da ansiedade e ficar silencioso.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Quedas.

Estou aqui. Com calma beija-me a boca que se alimentou do pomar sem matar. Quando quiseres. Aqui estás segura, mira esta armadura. Mesmo nu, eu luto. Incho o corpo, farei frente, entre os dentes.
Tenho ansiedade, tenho tanta ansiedade… ansiedade. Pronto. Pronto a enfrentar, agora sou. Isto é um gigante meu. Não temas. Podes descansar. Por aqui podes andar, ninguém te vai julgar, respeitam o meu amar; bandos de aves valentes, atravessam o mundo para a tua beleza apreciar e usam o seu canto para te embalar, na emotiva fraqueza queres saltar. Pois bem, cá em baixo estou eu, imóvel, pronto, forte, para te agarrar, não te obrigo a ficar.
Eu sinto o teu aproximar, faço vento vertical. Para eu ser a certeza faço um vendaval para te ver levitar, pairar. Cair devagar, estou erguido num colchão de penas pronto a te beijar, aqui em baixo o teu salto, aprendes agora o que é o teu alto.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Auto-retrato.

Sozinho nunca salvarei o mundo. Fui ser Anteros, aos olhos de Cicero, por ser filho de Ares e Afrodite, Eros é o meu irmão. Por isso os lobos uivam juntos, absurdos aos ventos nos tempos em que me sinto sem sono.
Traço uma linha na atmosfera, vejo melhor a esfera, cada pedaço recebido, ocupa o nada, retira-lhe o vazio.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Carta de George a Kante

Ela disse que só existe o que existe nela. Para si, fora de si.
Sais dela se não te vê.
Não quer o tempo, o espaço, o nome que define amor, só quer ser e nada mais. Quando existe dentro de si, e cá fora, os momentos e lugares, por existência, tal como o tempo e o espaço para a humanidade.
Aqui dentro, sem tempo ou espaço ela aponta o amor.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Pautado

Pauta
O ruído no tempo
No Sol, lá sim.
Ser assim.
Neste momento pós cigarro
Apagado, esfumado.
Graça no rosto de uma trapezista
Expectante, alcança a seriedade
No voar diante das faces que conquista,
Musicado

sábado, 12 de dezembro de 2009

Sentada na cama. Carta.

És feliz?
Vejo-te a vaguear, por ai, em locais onde não encontras quem procuras. Vejo-me nos pontos de encontro, encontro-me a mim. Corro. Corro com a tristeza a perder-se no horizonte, com o caminho da felicidade nos pés, com os olhos nos sinais.
A tristeza preocupa-te?
Preocupa-te a preocupação, porque o amor cresceu contigo desde o berço. Porque sabes em que estação desço. Porque estou gasto e envelheço. Consegues ouvir a canção? Sou eu ainda quem tem o teu coração.