quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Encontros com a Lua.

Claridade, tanta claridade a noite passada,
A cidade adormecida estava toda iluminada.
Luz azulada, vinda da lua e do céu negro,
Nuvens vizinhas, nuvens carregadas.
Redonda, lá em cima recortada.
Parece o rosto de alguém no esforço do canto
Que deseja ver a sua alma amada, um encanto.
Ou o rosto de admiração por estar a ver quem ama;
Por isso cantava a canção e não me deixava ir para a cama.
Julgo que canta para o Sol, estrela solitária
Canta para mostrar que está solidária
Vi uma mulher na janela, estava a contemplá-la
Ouviu o seu canto, sorria, murmurava: “Como é bela”.
Sentei-me ao seu lado, não se moveu, não perdeu a graça.
Disse: “ Fica mais bonita quando o sol a abraça”
Ficámos a ouvir o seu canto até que o sono, por fim, venceu.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Quadra dáda.

Dou-te o meu indicador para ser cravado, dou de agrado.
Sempre dei o peito, as mãos e a cabeça. Dou, fui guardado.
Lá fora gritam de dor, de incompreensão, dizem: “mal amado”.
Eu grito alegre a quem grita: “tu não compreendes o fado!”

Quadra suspeita.

Creio que o que temes é o contrário de mim e não eu.
O que desejas pode ser teu. Acaricia a mão, o que é meu.
Morde o lábio de baixo, o dela, o que é seu.
Juro que amei o que vi e o que senti … todo teu.

Memorias repentinas 4.

Era sempre naquele jardim, de pé, quase encostados
Falava-mos baixo, como se as arvores tivessem ouvidos;
Conhecia-mos os riscos que foram pelo diabo lambidos.
A relva, a sombra, a vista, as flores, os deveres estudados.

Memórias repentinas 3.

Lembro-me de um abraço que fez o mundo girar nos nossos pés.
Lembro-me do teu sorriso e da ternura naquele ambiente campestre.
Lembro-me de querer ser melhor e do deposito de todas as fés.
Dominar os meus próprios monstros e de querer ser mestre.

Memórias repentinas 2

Não podíamos sequer um beijo, uma carícia.
Tudo na escola de Platão, na imensa espera;
A vergar a mola do papão, domar a nossa fera,
Fazia-mos promessas e mapas de quimera.

Memória repentina.

Foram rápidos todos todo momentos contigo.
Tinham que ser rápidos e em segredo, tinha-mos medo.
Olhar trezentos e sessenta, o amor não se enfrenta
Protege-se, talvez, assim é comigo.