quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Alma.

Por aqui todos entram, comem, dormem, convivem e saem.
Ela só sai e entra. Barrica-se no silêncio, tudo pára.
Os vizinhos dizem que fala com as árvores, que se põe imóvel.
Que o seu corpo fica tenso, suspenso no ar por fios invisíveis.
Vende a alma, partilha os seus vazios por preencher.
 Dizem que foi aprendiz e hoje é mestre de possíveis.
Fique horas a olhar para a sua porta, sentia a sua tempestade morta;
Majestade da espera, uma princesa domadora da sua interna fera
Lá fica ela na sua materna esfera, insanidade que se diz paterna, da guerra e da quimera.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Estalajadeiro.


Sei cavar, semear e regar, tenho um jardim e uma horta, um galo e uma galinha, um coelho e um gato que não se importa.
 Entendo o clima e estas paredes, conheço a sua sede. Areia e pedra, pouco cimento porque é velha cadente como o seu criador, esse sim, já não sente a dor.
Sinto saudades da minha prometida, tornei-me no que sou e espero que não esteja ofendida. Á treze anos que espero, a três que não oiço a resposta que quero. O correio parou de entregar e de receber, aqui fico eu a sofrer, sabendo que ficou muito amor no meu entender. Foi uma despedida breve com promessas que no corpo e na alma… revelar segredos não, não me peças.
Onde ficou a tua calma? Terá sido comigo? Aqui sou conselheiro, confidente e amigo. Prestável para todos, só não sei ser relojoeiro. Respeitam-me, ajudam-me, tenho o cinto apertado mas vejo o meu coração é bem acarinhado.
 Jóias! Só na alma e as migalhas que ficam no papel, trituradas, filtradas e enviadas para este portal, esperando que ela oiça, responda e aconteça antes que a minha alma esmoreça. Segui-mos afastados, com a bússola e o relógio afinado, bem equipados, esperando o dia em que seremos amados. Nada me diz que não deixamos de estar apaixonados.
Luvas descalçadas. A fuga está estancada. Animais alimentados e tudo regado, está na hora de ver se o pessoal na escola está todo preparado. Despe o fato de macaco. Os primeiros dias são atarefados de questões, ilusões, muitas respostas e sem palavrões. É sempre assim que se repete há muitos Verões.

sábado, 28 de agosto de 2010

Por escrever:

Report from the quantum sphere
Baby craing. Silver fork drop on the floor
The father is traing to eat and grab the fork
The mother is traying to say quanto beautiful e tanto calor
Está naquela sala, onde sinto tudo ao mínimo o toque
Á mínima gargalhada, ao mínimo gemido.
The dogs dont bark over une hora…ui!
O que fui dizer… o que estou a descrever…
Hoje esteve a chover; é tudo o que oiço dizer.
Chover.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

domingo, 6 de junho de 2010

Caminhada insegura.

Ali ninguém fala. Anoitece, princesa, o valor, qual o preço do teu tórax dorido que não te deixa falar nem segurar a minha mão lá fora? Um gemido.
Este poema reflexo ruidoso do medo, da ansiedade e ficar silencioso.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Quedas.

Estou aqui. Com calma beija-me a boca que se alimentou do pomar sem matar. Quando quiseres. Aqui estás segura, mira esta armadura. Mesmo nu, eu luto. Incho o corpo, farei frente, entre os dentes.
Tenho ansiedade, tenho tanta ansiedade… ansiedade. Pronto. Pronto a enfrentar, agora sou. Isto é um gigante meu. Não temas. Podes descansar. Por aqui podes andar, ninguém te vai julgar, respeitam o meu amar; bandos de aves valentes, atravessam o mundo para a tua beleza apreciar e usam o seu canto para te embalar, na emotiva fraqueza queres saltar. Pois bem, cá em baixo estou eu, imóvel, pronto, forte, para te agarrar, não te obrigo a ficar.
Eu sinto o teu aproximar, faço vento vertical. Para eu ser a certeza faço um vendaval para te ver levitar, pairar. Cair devagar, estou erguido num colchão de penas pronto a te beijar, aqui em baixo o teu salto, aprendes agora o que é o teu alto.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Auto-retrato.

Sozinho nunca salvarei o mundo. Fui ser Anteros, aos olhos de Cicero, por ser filho de Ares e Afrodite, Eros é o meu irmão. Por isso os lobos uivam juntos, absurdos aos ventos nos tempos em que me sinto sem sono.
Traço uma linha na atmosfera, vejo melhor a esfera, cada pedaço recebido, ocupa o nada, retira-lhe o vazio.